Educação Biocêntrica

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UMA ABORDAGEM DA INTELIGÊNCIA AFETIVA: Supostos epistemológicos da pesquisa científica, da educação biocêntrica

Prof. Dr. Agostinho Mario Dalla Vecchia 

 Inteligência afetiva é uma categoria fundamental dentre os  pressupostos epistemológicos e pedagógicos para o  desenvolvimento da pesquisa biocêntrica, para a educação  biocêntrica, para uma economia autossustentável e solidária, para  a fundamentação e consolidação da democracia. Ela está ligada na raiz da concepção de vida como centro da nova visão biocêntrica de mundo. Inteligência afetiva está no núcleo da concepção e do processo de articulação econômica, no cerne da politica do amor, no coração da ação educativa, no nú- cleo da família, etc. A Inteligência Afetiva é a inteligência e a compreensão da realidade a partir de uma postura amorosa que impregna a vida do edu- 4 Mestre e Doutor em História Professor Universitário aposentado Facilitador pela International Biocentric Foudation Facilitador Didata em formação Revista Pensamento Biocêntrico 46 cador, do trabalhador, do político, dos pais de família orientando a ação no mundo centrada na vida. É a visão do coração perpassada pela sensibilidade ética de cuidado pela vida em suas infinitas formas. Queremos destacar aspectos da Inteligência afetiva para situá- la principalmente em nível da investigação e do processo educativo complexo e integrado à vida. A afetividade determina a evolução completa do ser humano, desde a vida intrauterina à maturidade. A inteligência tem sua base estrutural na afetividade. Os processos de adaptação ao meio, a construção do mundo se organizam em torno das protovivências afetivas. Há uma inteligência emocional. A capacidade de aprender, a memó- ria, as percepções são condicionadas pela afetividade. As motivações existenciais que desenham nossa trajetória na vida são de natureza emocional. Assim, a estrutura seletiva, as preferências e o juízo esté- tico são influenciados pela afetividade (TORO, 1999:13). A afetividade é a inteligência cósmica. A inteligência ética não é intelectual. Na Analética Dussel também fala do ponto de partida essencial da ética que é a percepção do outro na condição de vítima, na pobreza, na miséria, na marginalidade, caído e explorado (DUSSEL, 2000). A inteligência ética tem suas origens na forma de organizar estruturalmente o mundo e a relação com os outros. O gê- nio da espécie não é a inteligência e sim a afetividade orientada à tolerância, à compaixão, à amizade e ao amor. A afetividade é a raiz nutritiva da vida (TORO, 1999:13). “Nossa sociedade tem uma patologia afetiva ostensiva” (TORO, 1999:13). “A aprendizagem da linguagem, da literatura, da poesia, da arte, possui uma gênese afetiva” (TORO, 1999:13). Reiteramos a ideia de que é necessário que a educação considere a afetividade sadia e trabalhe integralmente com ela, mas considere também as suas patologias para atuar de forma pertinente e eficaz. A falta de Pelotas – Nº 20 – Jul/Dez 2013 47 amor a si mesmo gera autodestruição. A segunda forma patológica é a dificuldade de contato-comunicação. Outra patologia é a intolerância frente à diversidade gerando domínio e submissão. Outra doença de nossa cultura é o egocentrismo e o individualismo vinculados à ideia do ser como ter e como poder. Um representante da visão holística no Brasil, Pierre Weil, afirma que “esses padrões (sociais) calcados na tendência à autoafirmação excessiva, da sociedade dominada pelo paradigma mecanicista, implicam poder, controle e dominação dos outros pela força, numa classe organizada dominante em posi- ções de poder mantidas de acordo com hierarquias sexistas e racistas, na ênfase da competição e não na cooperação, e no endeusamento de uma tecnologia que tem como meta o controle a produção em massa e a padronização” (Cf. TAVARES, Clotilde, 2000:62). Essas patologias, umas individuais e outras sociais, devem ser consideradas na educação. Ignorá-las é desvincular-se da realidade, é abrir espaço para um processo desagregador provocado pela pessoa que trabalha em sala de aula e no contato com os colegas. A incorporação do conhecimento não é um processo de informação e memorização. A aprendizagem da ciência, da técnica e da linguagem, assim cormo o refinamento nas artes, se produz por atos de construção e reconstrução.O treinamento no pensamento crítico e no raciocínio lógico-matemático e um processo complexo de elaboração mental que requer a redescoberta do conhecimento e não somente sua transmissão.

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